terça-feira, 3 de janeiro de 2012

FELIZ ANO NOVO!

Inicio este artigo com uma frase retirada do livro "Noturno de Havana" de T.J.English, que descreve Cuba antes da Revolução, dominada pela Máfia de Havana e sua derrota às tropas de Fidel Castro.
O trecho é de uma fala de Fidel Castro em um discurso quando foi preso, nomeando-o de "La história me absolverá"

"Sei que devo ser silenciado por vários anos. Sei que eles vão tentar esconder a verdade por todos os modos possíveis. Sei que vai haver uma conspiração para me forçar ao esquecimento. Mas minha voz nunca será afogada; porque ela ganha força dentro do meu peito quando eu me sinto mais sozinho... Sei que a prisão será mais dura para mim do que jamais for para qualquer um, cheia de ameaças, vilanias e covarde crueldade. Mas eu não temo a prisão, assim como não temo a fúria do miserável tirano que ceifou as vidas de setenta dos meus camaradas. Condenem-me. Não importa. A história me absolverá".

Fidel Castro disse isso quando foi preso por ser contra o governo mafioso de Luciano Batista, em meados de 1953-54.
E é neste ritmo que passo a pensar um novo ano.

Fidel Castro foi preso simplesmente por estar contra um governo que massacrava o povo, e que usava da Máfia dos jogos, cassinos e hotéis para dominar a Ilha Caribenha e fugir da "Lei Seca" nos Estados Unidos da América.
A Ilha estava somente boa de se viver para aqueles que sempre estiveram do lado do governo, pois a oposição era silenciosamente aniquilada.

Somente para entender o contexto da minha postagem iniciar com este trecho.
Mas, transporto para o dia de hoje, e não em função de discutir os interesses políticos de Cuba, a ditadura de Fidel e Raúl ou qualquer que seja a ligação com o Comunismo ou Socialismo, abertura de comércio ou qualquer outra notícia que se possa ter sido absorvida por meus queridos leitores nestas semanas.

O que quero com esse trecho da fala de Fidel Castro é pensar que poderia ser uma frase, de qualquer preso político, hoje, no Brasil.
Vivemos alguns acontecimentos em 2011 que me fizeram pensar o quanto o povo ainda está a merçê dos governantes, imóvel e impossibilitado de mudança, manipulado e alienado... Claro que não digo isso em sua maioria, pois a generalização gera preconceito, e não é esse o intuito.

Vivemos histórias que fizeram a opinião pública se voltar contra estudantes, contra governantes e contra o próprio país.
Vivemos histórias de contos de fadas, mas que de realidade não há aqui.
Vivemos as mesmas histórias de anos passados, com as chuvas de novembro, os deslizamentos de terra, os acidentes nas estradas e o grande rombo na conta pública do país.
Vivemos a presidencia de uma mulher, as quedas de seus ministros, a luta da oposição em "falar mal" e as discussões do que vemos de bom neste tempo.
Vimos a queda de um terrorista, vinda de tropas de outro terrorista.
Vimos a fome, a miséria e a loucura em busca de paz.
Vimos guerras, e vimos paz... Ou uma paz ilusória em certos pontos.
Vimos a segurança pública acabar com a segurança.

Neste ponto, lhes pergunto: Será mesmo que teremos um FELIZ ANO NOVO? Ou simplesmente um ANO NOVO?
Novo, eu não senti nada ainda...
A não ser no calendário!

Preços de passagens de ônibus sobem no segundo dia do ano em Campinas.
As chuvas de fim de ano castigam até o terceiro dia do ano, na limpeza de suas casas em diversas cidades de Minas Gerais.
Os impostos sob aparelhos eletro-eletrônicos aumentam um pouco mais...

Mas me motivo ao ver a greve dos Estudantes da USP ainda estar em pé, e o Ocupa Sampa ganha mais força.
Motivo ainda mais em ver os Coletores de Lixo estarem paralisados em busca de melhorias em condições de trabalho e salários.
Fora os outros diversos movimentos sociais que estão em movimento neste mesmo momento que lhes escrevo.

Pois a mudança deve partir daqueles que são massacrados.

E neste pique que me despeço, com uma frase:

Será mesmo que teremos um ANO NOVO? Ou só mudaremos o calendário?

"Condenem-me. Não importa. A história me absolverá".

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